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Conte como iniciou sua carreira?

Desde minha adolescência, prestava serviços de diagramação e artes gráficas para impressão. E paralelo a isso, adorava programação. Em 1999, com 17 anos, tive meu primeiro site publicado. Foi quando comecei a focar minha vida profissional na internet e em serviços online. Desde lá, sempre vim prestando trabalhos aqui e ali para algumas pessoas e empresas. Estudante do curso de ciências da computação na época, fui contratado como estagiário na então Cameco do Brasil – atual John Deere Brasil – aqui em Catalão onde posteriormente fui contratado. Fiquei por 4 anos trabalhando em sistemas e comunicação interna. Abandonei o curso e me formei em Administração de Empresas com ênfase em Sistemas de Informação. Em 2006, fui contratado pela Mitsubishi Motors, no departamento de tecnologia onde estou até hoje. 

 

Qual foi o maior desafio no começo de sua carreira?

O início de minha carreira foi muito prazeiroso e as coisas aconteceram para mim de forma muito automática, não tenho o que reclamar de como foi o processo. Meus pais apoiavam e disponibilizavam infraestrutura pro meu aprendizado, um grande amigo da família chamado Hamilton Naves, foi um grande incentivador e mentor. Sempre tive pessoas espetaculares ao meu lado que acreditavam e me ajudavam. Um possível desafio talvez tenha sido conciliar o tempo disponível com todas as atividades que eu queria fazer, incluindo os eventos de lazer.

 

Um pouco da história da MundoW3?

Como sempre atendi paralelamente clientes pessoais, em 2007 surgiu-se a necessidade de deixar de utilizar meu nome e sim criar uma referência diferente. Algo maior. Foi neste momento que cheguei ao nome e identidade ‘MundoW3' para assinar e entregar soluções maiores e mais complexas para certos clientes que tinha conseguido na época. Foi quando após 2 anos, vi que nosso atendimento precisava ir para um patamar mais formal e de qualidade. Era hora de criarmos uma equipe, uma sede e estruturar nossos procedimentos.

O escritório de nossa empresa teve início portanto em 2008, com 2 funcionários, quando minha esposa deixou a gerência de uma revendedora de aço para iniciar a empresa em si e gerenciar então nossa estratégia empresarial. De lá pra cá, atuei como líder, consultor técnico e gerente de qualidade nos projetos entregues pela MundoW3, e minha esposa Gisele de todas as demais áreas. Nos empenhamos e trabalhamos incansavelmente durante 6 anos, e como fruto alcançamos um posicionamento invejável pela concorrência do setor em nossa região. O fato de termos projetos incríveis em nosso portfólio e uma equipe exemplar de 11 pessoas onde o reconhecimento era constante por parte de nossos clientes foi a prova para nós de que o nosso dever foi cumprido. Foi quando no último ano olhamos para uma oportunidade de vender a empresa que estava madura e respeitada pela comunidade. Assim fizemos, com certo aperto no coração.

 

Quais os maiores desafios para quem é do mercado digital?

Sempre achamos que o maior desafio é a própria evolução da tecnologia em si, e como os clientes enxergam a aplicação dessa tecnologia. Pelo menos aqui em nossa região, temos a maioria dos casos onde o projeto é focado apenas na entrega isolada e não em todo o conceito que deveria ser implementado para o sucesso dessa entrega em si. Sempre entendi que quando se fala de uma solução digital, essa solução não pode ser apenas o que o usuário final vê. Deve envolver um retorno financeiro mensurável, deve estar alinhado à estratégia empresarial do cliente, enfim… Para nós é sempre algo maior.

Outro desafio é encontrar mão de obra capacidada e principalmente apaixonada por tecnologia, que terá para si o prazer em acompanhar as tendências do mercado se  aprimorar pela vontade e não pela necessidade.

 

Pode contar quais foram suas impressões sobre esse processo de venda, do desprendimento, dos próximos passos, dividir os pontos positivos e negativos de um processo como esse?

Chego a uma conclusão de que minha esposa e eu empreendemos e trabalhamos para colher os frutos no processo de venda da empresa. Preparamos a MundoW3 para o mercado e temos certeza que a nova diretoria têm orgulho da imagem que a empresa tem e que está fazendo um excelente trabalho baseado na cultura que deixamos lá implantada. Isso para nós é muito gratificante, e não existe escola qualquer que nos dará melhor noção de gestão de recursos humanos, de liderança ou planejamento do que essa experiência que tivemos. Sinto-me muito mais pronto agora para gerenciar um time ou a qualidade de uma entrega do que quando concluí minha pós graduação em Gestão de Projetos em 2009. A prática e todo o aprendizado que tivemos foi para nós o principal retorno de nosso investimento.

Concordo com a teoria de que as pessoas empreendedoras são sempre inquietas e que tem a necessidade de estarem sempre envolvidos em novos projetos. Minha esposa e eu sempre estamos nos preparando para algo, estudando possibilidades, avaliando riscos… Então conosco não aconteceu diferente durante todo o tempo que estávamos a frente de nossa empresa, bem tampouco agora. Agora curtimos um momento onde estamos focados em empreender em nossa vida pessoal e familiar, considerando tais objetivos como alguns degraus para em um futuro irmos mais longe. 

 

Muitas pessoas tem duvidas sobre isso: Quando é a hora de deixar sua empresa?

Aqui se aplica a regra mais básica no empreendedorismo: aproveitar uma oportunidade em junto ao ambiente que você está inserido. Em nosso caso, passávamos por um momento onde minha esposa Gisele, no cargo de CFO da MundoW3, prestava consultoria financeira em outros negócios da Família que estão em expansão, e eu, em contrapartida estava inserido – e ainda estou – como líder em projetos mobile importantes e de forma muito prazeirosa na Mitsubishi. Adicionado a isso, o planejamento de mais um filho requeria mensurar o tempo que teríamos no futuro para a qualidade de vida que desejamos. A hora de deixar a empresa também é aquela que você se sente preparado para um desligamento emocional. Dependendo do estilo de gestão, comunicar seus clientes e parceiros de uma nova diretoria, bem como o distanciamento pessoal da equipe não é uma tarefa simples. No nosso caso, tínhamos uma equipe muito próxima a nós e selecionada de forma a qual o perfil comportamental pesava mais que o técnico que treinávamos posteriormente se necessário. Então todos eram nossos amigos. Foi uma preparação longa até o momento de informá-los da mudança.

 

Quanto ao apagão de profissionais no Brasil, como sua empresa está contornando esta situação?

Enquanto a frente da empresa, nosso perfil de contratação sempre foi buscar pessoas jovens criativas, dispostas e principalmente com senso de colaboração, que tivesse entre outras características a paixão pela área de tecnologia e internet. Não buscávamos experts, buscávamos pessoas que gostariam de ajudar e serem ajudadas a se tornarem experts. Como empresa, incentivávamos a pesquisa e estudo durante o tempo de trabalho, e sempre estivemos dispostos a prover treinamento técnico. Inclusive fizemos parceria com uma empresa da região para fornecimento de cursos profissionalizantes, que, por incrível que pareça não foi preciso ser acionada devido ao perfil da equipe. Em contrapartida, em vários episódios perdemos funcionários para grandes indústrias da região, pois quando um certo nível de proficiência era atingido, nosso funcionário estava pronto para ocupar cargos mais bem remunerados. 

 

Você já participou de Missões Internacionais ao Vale do Silício, dentre as atividades, o que mais lhe chamou a atenção do modelo americano de negócios e quais as principais diferenças entre empreendedores no Vale e no Brasil.

Foi muito interessante notar claramente a capacidade que as empresas e start-ups do vale do silício tem de integrar suas estratégias de inovação com suas estratégias de negócio. Enquanto no Brasil empresas procuram, em sua maioria, uma estratégia de consolidação do negócio baseada em conceitos já existentes, lá fora a inovação é o centro da estratégia. E outra grande diferença que, alinhado a isso, não se privam ou guardam para si suas ideias ou seus próximos passos. Eles justamente utilizam o impacto que essas ideias tem nas pessoas ao seu redor (inclusive nos possíveis concorrentes) para traçar o futuro de seu negócio. É a clara aplicação do que já sabemos: a informação não tem nenhum valor se ela não é compartilhada. Não esperam o produto estar 100% pronto para o mercado, com isso se antecipam e inclusive consideram a todo tempo possíveis mudança dramática de seus negócios.

 

Qual a importância de se participar de atividades fora do Brasil?

Viagens relacionadas ao desenvolvimento profissional ou de networking como a que tive oportunidade de participar há 1 ano atrás, principalmente para regiões como a do vale do silício que é extremamente evoluída e tecnológica, com os melhores profissionais do mundo circulando e aplicando suas ideias, nos mostra a potencialidade do ser humano de criar e de melhorar o mundo. Os exemplos práticos que se vê nessas viagens nos incentiva muito a buscar sempre a inovar nas pequenas tarefas que fazemos. E mais que isso, nos incentiva a tentar aplicar aquela cultura, a buscar um propósito maior do que simplesmente agir. Aprendemos que tudo deve ter um porquê.

Quando viajamos para países mais desenvolvidos (com mais tecnologia) que o Brasil, e eu considero aqui até mesmo quando viajamos para turismo, passamos por ambientes novos e experiências que nossa cultura não nos provê. Só isso já basta para ver e aprender como as coisas funcionam para outras pessoas. Por exemplo: como profissional de TI, nas seis viagens que tive oportunidade de fazer para os Estados Unidos, aprendi a gostar de reparar nos serviços que eles têm e como as pessoas interagem com esses serviços, e como alguns possivelmente se adaptariam no Brasil. É muito prazeiroso e gera muitas novas ideias. 

 

Já teve algum projeto ou empresa que não teve êxito? Em caso positivo, qual a lição que tirou.

Com certeza. Projetos sem sucesso fazem parte da vida de qualquer um, não só de pessoas tidas como empreendedoras e inclusive das pessoas de sucesso. Acredito que podemos entender “projetos” como sendo qualquer objetivo profissional e pessoal. Em todos eles deve-se considerar os detalhes, o risco, o retorno, etc… Mas temos que considerar algo mais importante que tudo isso tanto naqueles  fracassados como também nos projetos de sucesso: O aprendizado. Todas as nossas entregas precisam ser avaliadas para aprendermos a melhorar.

 

Fausto Mastrella é co-fundador da MundoW3 e Analista de Sistemas Sr na Mitsubishi Motors do Brasil.
A MundoW3 é uma agência digital de referência na cidade de Catalão, interior de Goiás com clientes na região e também em outros estados.
O foco principal da empresa são projetos digitais, como aplicativos móveis e para internet, sejam e-commerces ou mesmo ERPs completos para gestão de processos específicos, em todos os segmentos comerciais. A MundoW3 realiza além de desenvolvimento de software, companhas de marketing digital, gerenciamento de redes sociais, branding e todo tipo de gestão digital de uma empresa.