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Em Abril de 2015, a BWi Participações realizou a 2ª Atividade de Negócios e Networking em São Paulo, a Expedição de Negócios. Tivemos oportunidade de realizar uma visita técnica a JR Diesel por meio do Arthur, visitamos  todo o pátio operacional da empresa e concluimos com um bate papo com o Fundador Geraldo Rufino.

Segue abaixo entrevista com Arthur Rufino, Diretor Financeiro e de Novos Negócios da Empresa JR Diesel, maior empresa de reciclagem de caminhões do Brasil. A empresa desmonta cerca de mil caminhões por ano, gera 150 empregos diretos e garante uma receita bruta anual de R$ 50 milhões.

Rufino

(Arthur Rufino – JRDiesel)

1- Primeiramente, gostaríamos que nos comentasse sobre o inicio de sua carreira e sua entrada na JRDiesel. 

 A JR Diesel foi meu primeiro emprego aos 17 anos, onde buscava preencher meu tempo e meu bolso enquanto arriscava empreender em diversas outras frentes, de design de produtos à startups de tecnologia. Desde o início, estive sempre por perto da operação em todos os departamentos, mas nunca à frente ou atuando constantemente nessas operações, de forma que consegui adquirir um conhecimento profundo de todo o negócio. Por muito tempo me senti deslocado na empresa por não ter o perfil de todo o resto, por isso insistia em empreender fora da empresa, até que em 2007 resolvi criar meu espaço dentro da empresa e tudo começou a mudar. Desde então sou responsável por toda e qualquer inovação, pesquisa, desenvolvimento ou estratégia da JR Diesel, lugar onde me sinto tão à vontade quanto em minha casa. 

 

2- A área de atuação da JR Diesel (reciclagem/desmanche de caminhões) sempre foi vista de forma marginalizada, porém você teve um papel muito importante na regulamentaçāo desse setor. Como foi participar desse processo junto ao Governo Paulista?

A regulamentação do setor foi o prêmio por um trabalho iniciado em 2009 quando resolvi que criaria na JR Diesel a referência para a Lei do Desmanche, que nem projeto era ainda. Em 2011, a empresa já seria aprovada por qualquer lei mundial de reciclagem automotiva, mas ainda não existia uma iniciativa nacional para tratar do assunto, o que me motivou a iniciar um trabalho junto à Assembleia Legislativa, buscando deputados interessados na matéria. Durante esse trabalho, em março de 2013, nasceu um projeto de lei visando proibir nossa atividade de desmontagem de veículos no Estado de São Paulo, um presente para quem vinha trabalhando para ganhar visibilidade no governo e transformar uma ideia em lei. Com um dos deputados com quem trabalhava, conseguimos uma audiência com o autor do projeto de lei, o Secretário de Segurança Fernando Grella, e tive a oportunidade de defender minha tese. Exatos nove meses após essa conversa, o projeto que iniciei em 2009 virava a lei que mudaria o setor e o bem estar da sociedade.

 

3- Você foi responsável pela fundação da Associação Nacional de Desmontagem e Reciclagem Automotiva (ADERA), inicialmente para dar neutralidade nas conversas com o Governo sobre a legalização. Hoje, como a ADERA atua e quais os benefícios conquistados para os associados?

A ADERA sofre pela falta de associados compatíveis com o propósito da entidade, visto que há poucas empresas nesse setor que compartilham de nossa metodologia de gestão. Hoje a entidade busca democratizar o acesso às informações que eu acumulei nesses anos de formação como especialista do setor, para que mais empresas possam atuar na linha que seguimos e fomentar o desmanche legal de forma massiva, ampliando o benefício esperado de nossa iniciativa. Se mais empresas legais ocuparem o mercado, não precisaremos sequer de um agente de fiscalização para resolver o problema dos desmanches ilegais porque o consumidor será o agente de mudança quando tiver oferta de peças legais à sua disposição.

 

4- Sua experiência internacional trouxe grandes contribuições não somente para a JR Diesel, como para o setor que atua. Em sua opinião, qual a importância de sair de seu país e as principais diferenças que encontrou no modelo de negocio estrangeiro que podem ser aplicadas aqui no Brasil?

Eu conheci 9 países com modelos de desmanche muito diferentes entre eles, mas todos tinham um pouco à doar para o modelo que criamos no Brasil. Sair um pouco da sua realidade e conhecer modelos diferentes, não piores ou melhores, mas simplesmente diferentes, transforma sua visão sobre o próprio negócio. Um dos cases que conheci, Na Turquia, foi usado como argumento junto ao Secretário de Segurança do Estado de São Paulo quando o convencemos de que a proibição do setor não resolvia o problema, mas sim o aumentava. Em resumo, uma das minhas viagens me mostrou um detalhe que mudou o segmento. Sim, é importante.

 

5- Seu pai, Geraldo Rufino, alem grande empreendedor é otimista ao extremo. Tendo esse exemplo quais os maiores desafios que teve que lidar e como essa influencia positiva impactou em suas decisões?

Eu recebi muita pressão para ser como ele, até porque temos o mesmo nome. Me chamo Geraldo Arthur Rufino. Isso foi o que me afastou da empresa ou do desafio por tanto tempo e hoje me apresento como Arthur para evitar as comparações. Temos muito em comum em nossa essência, mas somos totalmente diferentes em comportamento corporativo, o que se mostrou uma vantagem competitiva da empresa com o tempo. Hoje há oposição dentro da empresa, mas de forma saudável, então mantemos tudo em crescimento porque não há acomodação sobre um modelo onde todos concordam com tudo. Apesar de diferentes, ambos somos positivistas!

 

6- Quais foram as lições e os aprendizados que obteve com as quebras nos negócios de seu pai e qual o impacto em sua carreira profissional?

Resiliência. Hoje vejo tudo de forma mais simples, por mais grave que possa parecer a situação. É muito difícil me ver abalado com qualquer instabilidade e isso nos coloca à frente porque minha tendência natural é enxergar oportunidades na adversidade. Além disso, deixei de ser um playboy sem referência de valores e isso fez quem sou hoje.

 

7- A JR Diesel é uma empresa familiar, com 30 anos de mercado. Como vocês conduzem esse tema, pois existe sempre uma preocupação quanto a continuidade da empresa e a sucessão, sendo assim, já existe algo formatado?

Existe um paradigma em torno da sucessão que conduz as novas gerações a imaginarem uma cena da entrega do bastão, como se isso fosse um fato pontual e isolado e isso cria uma ansiedade frustrante nos potenciais sucessores porque essa cena nunca chega. Na verdade a sucessão da JR Diesel começou há anos, muito antes de percebermos que ela estava acontecendo. A sucessão é um processo que dura anos e esse tempo deve ser respeitado para que tudo aconteça de forma saudável. Nenhum fundador está preparado para entregar a gestão do projeto da sua vida de um dia para o outro e nenhum sucessor, por mais preparado que pareça estar, está realmente apto a assumir um cargo de repente. O que acontece aqui é um imenso respeito de nossa parte pelo legado do nosso pai e também da parte dele em relação à toda inovação que trazemos para o negócio. A governança corporativa apareceu em nossas vidas há menos de um ano e começou a formatar a fase final da sucessão, onde acontece o que meu pai gosta de dizer: 
“Eles cuidam da empresa e eu cuido deles. É uma relação ganha/ganha que nos permite manter viva a relação familiar e perpetuar o negócio.

 

8- Alem da JR Diesel, você possui a Lancelote.com, um site de anúncios de leilões, como surgiu a empresa e como concilia com a JR Diesel?

O Lancelote.com é um marketplace de leilões que nasceu em uma das vezes que fugi da JR Diesel. Hoje essa startup sofre com minha ausência já que a JR Diesel passou a ser minha startup madura. Ela me traz tantos desafios de inovação e desenvolvimento diariamente, que toda a minha diversão em criatividade acaba sendo focada nela. Hoje uso parte do relacionamento que venho criando no universo JR Diesel para encontrar parceiros estratégicos para o desenvolvimento do Lancelote.com e de outras startups onde atuo como mentor.

 

9- Deixe uma mensagem para os novos empreendedores.
Empreenda! Seja dentro da sua empresa ou como colaborador da empresa de alguém, trabalhe para você, pense como dono. Quando fiz isso, passei a ser dono da JR Diesel muitos anos antes de ter participação como acionista, e isso acontecia apenas em meu coração e em minha ações. Trabalhe muito! Meu pai gosta de falar em 14 ou 16 horas por dia, mas hoje no mundo conectado em que vivemos, dá para superar esses números. Sim, você ganha por hora trabalhada e seu sucesso é proporcional a sua dedicação. Estude! Não digo apenas sobre um curso superior (comecei 4 e não terminei nenhum), mas sobre saber muito sobre o seu assunto, assuntos paralelos e assuntos distantes. O excesso de informação gera criatividade, gera inovação, gera assunto. Antes de sentar com um potencial parceiro (investidor, colaborador, fornecedor ou cliente), estude sobre ele e seu contexto. Esteja sempre preparado! A JR Diesel estava preparada para a Lei do Desmanche 2 anos antes da discussão sobre a mesma. Quanto tudo aconteceu, ela estava 5 anos à frente de qualquer potencial concorrente. Trabalhe para ser feliz, o dinheiro vem por consequência.



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Foto: Arquivo Pessoal André Bianchi – Crédito: Dionathan Santos